top of page

Crônicas de uma mãe espírita | A MELHOR PARTE

Atualizado: 26 de ago. de 2025


roupas de bebê no varal

Olhei para o relógio de madeira no alto da parede da cozinha. Ele marcava 22:38. Olhei para o quintal pela porta de vidro. Avistei o varal, cheio de mini roupas há quase uma semana. Não conseguia me decidir se cantava parabéns pra ele – pelo aniversário de 7 dias no tempo – ou se me arrastava para a coleta das inúmeras roupinhas fofas e coloridas. Com muito custo, fui para a segunda opção.


Enquanto tentava encontrar pares de meias e decidir quais calcinhas pertenciam à qual filha, ele logo chegou. Aquele pensamento incômodo, irritante, que chega sem ser convidado:


“Nossa, hoje não consegui fazer nada!”.

Não enviei o e-mail importante. Não respondi à mensagem de um provável novo aluno para minhas aulas de inglês. Não consegui lavar as vasilhas do almoço. Não paguei a conta no aplicativo do banco que só aceita pagamentos até as 22:00 e lamentei os juros de R$ 5,34 que vou ter que pagar amanhã. Não reguei a pobre coitada da planta que parecia mais murcha do que o meu ânimo. Acumulei mentalmente mais 20 ou 30 itens na minha lista de coisas não realizadas. Admiti a derrota, contabilizei mais uma culpa para a minha longa lista de insuficiências e considerei verdadeiramente fazer um bolo e cantar os parabéns pra roupa do varal – assim pelo menos poderíamos comê-lo no café da manhã.


Mas, vou até o fim e dobro a última meia minúscula e sem par. Olhos no relógio. 23:07. Ótimo! Acho que hoje consigo deitar antes da meia noite. Até tento. Dentes escovados, pijama trocado, cabeça no travesseiro, mas...a longa lista de itens não realizados continua a me assombrar.


Peço uma trégua à voz incompassiva que mora dentro de mim e consigo fazer uma prece. Oro. Peço a Deus que me perdoe e que me mostre uma forma do dia ter mais que 24 horas. Nada. Choro baixinho. Lágrimas sinceras rolam no rosto enquanto uma voz, que acredito ser do meu guia espiritual, começa a aparecer lá no fundo.


“Você acordou de madrugada e ninou um bebê inquieto.

Sentou-se à mesa e fez refeições com sua família.

Ensinou matemática e foi contadora de histórias.

Mostrou a importância da oração e da gratidão.

Trocou fraldas, deu banhos, alimentou barrigas e corações.

Garantiu uniformes limpos, levou e buscou na escola.

Consolou choros sentidos e resolveu conflitos por bonecas de plástico.

Sarou machucados com beijos mágicos.

Abraçou crianças suadas e arrancou sorrisos com cosquinhas.

Cantou canções de ninar e deu beijos de boa noite.

Serviu e sustentou um lar inteiro.

Tolerou o caos – na sua casa e no seu coração.

Você viu a vida em movimento.

Você riu junto.

E chorou sozinha.

E apesar de achar que você não fez nada...

Hoje, você fez TUDO.”


Uma mãe segurando um bebê.

Pouco antes de adormecer, entre pensamentos de gratidão sincera pelo lembrete que este fiel amigo me trouxe, não pude deixar de lembrar o aviso do Mestre à Marta na passagem narrada em Lucas 10:38-42


“[...] tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só. Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada".


Gostou desta crônica? Deixe o seu comentário aqui em baixo!


Um abraço fraterno no seu coração!

Chris Lacerda


Comentários


  • Ícone do YouTube Preto
  • Ícone do Instagram Preto
bottom of page